segunda-feira, 28 de abril de 2014

Esse carro está estranho?


        O carro engasgou, morreu quando abriu o farol. Esse carro está estranho. Ou será que sou eu? Esse nervoso que sinto, me corroendo aos poucos, lentamente passeando debaixo da pele do meu rosto, de minhas mãos. O que é isso? Este sofrimento que está por vir,  cozinhando nem tão silencioso dentro do meu coração. Está tudo bem, não está? Tudo certo, nada para reclamar. As coisas estão no lugar, se encaminhando de maneira tão tranquila. Será meu famigerado apetite por destruição querendo falar mais alto que minha razão, minha orgulhosa racionalidade? Querendo um pouco mais de tempero, um pouco de tempestade nos ventos de paz que sopram no meu rosto? 
         Esse carro está estranho, não está respondendo direito, posso sentir sob meus pés seu ronco incômodo.  Sou eu que estou respondendo diferente? Que outras respostas e sinais meu coração está procurando, vasculhando metodicamente pelos fatos? Oras, seu tolo, se atente aos fatos pelo menos uma vez! Não divague, não delire. Pois essas reações exageradas e indevidas não deviam  ter lugar, não agora, não fazem sentido! Essa sensação, esse ronco incômodo é um flerte com a loucura, vai te levar a aquele mesmo lugar que você não quer ir, que você evita... ou está com saudade dele, da dor, da dúvida...
        É difícil confiar nesse carro, engasgando assim, não respondendo no tempo certo. Tenho medo, ainda mais que é de noite, estou sozinha. E se ele parar no meio da avenida? Mas eu tenho que confiar... é minha única alternativa. A de todos nós.  Como vamos viver sem confiança... eu e você?  Se eu inventar de desconfiar de cada palavra, de cada intenção.... não posso. Não posso olhar nos seus olhos e beijar seus lábios e não crer em você. No seu sentimento. Na sua sinceridade, quando você me encara tão firme e confiante na penumbra do seu quarto, tão próximos um do outro que posso sentir nossos corações batendo em uníssono... quando foi que seu sorriso me deu motivo para duvidar? Nunca,  nunca. 
      Sou eu, minha insegurança,  minha bagagem pesada, tantos outros que passaram por mim e me feriram, me transformaram... são eles os responsáveis por esse mal estar, por essa falta de sanidade temporária.  Mas eu vou confiar, vou pegar a estrada com você. Até que a gasolina acabe e  não tenhamos mais trocados para reabastecer.

Postado por: Srta. Paradoxo. 

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